Chegámos a Bali, de novo. Temos aqui ainda um dia e uma noite para "comer, orar e amar" antes de regressar a Portugal.
Depois do livro autobiográfico de Elisabeth Gilbert, e do filme homónimo, são muitas as mulheres turistas sozinhas que vêm "amar" para Ubud, como pudemos constatar. Pode até ser impressão nossa...mas é como se muitos clones da Júlia Roberts se passeassem de bicicleta pelas ruas, com as suas roupas étnicas, jantassem sentadas em largas almofadas, meditativas e sós, orassem nos templos hindus, sensuais e transcendentes.
Antes de largar a Indonésia tivemos o nosso último encontro com o resto do mundo na área dos campos de arroz e de mais templos, tudo classificado como património da humanidade pela UNESCO. Pois, assim sendo, as infra-estruturas para acolher o resto do mundo estavam lá, restaurantes, hotéis, souvenirs... E, pode até ser impressão nossa, mas...será que o cultivo do arroz é mesmo porque tem de se comer o precioso cereal ou existe para manter a paisagem-galinha dos ovos de ouro? É que o ébola que o turismo é opera velozes mudanças no sentido de retirar a verdade das coisas, e é bastante provável (e justo!) que para manter o imenso esforço de trabalhar os arrozais os agricultores recebam uma subvenção... Caso contrário, seria mais proveitoso comprar o arroz industrial à China... Ou não?
Tivemos também a sorte de nos conseguirmos infiltrar numa verdadeira luta de galos (quando digo verdadeira quero dizer que as únicas turistas que lá estavam éramos nós).
As lutas de galos são o desporto tradicional balinês que reúne mais adeptos... Até porque também decorre nos templos, em recintos devidamente apetrechados para este espetáculo-jogo que movimenta tanto dinheiro.
Na verdade, só os três primeiros combates são considerados ritual sagrado, sendo que o valor pecuniário das apostas reverte para o templo. A partir do quarto confronto, tudo se inverte. O jogo passa a ser ilegal... E pode até ser impressão nossa, mas... Apareceram vários polícias fardados no ringue, cada um de sua vez, em ondas sucessivas, com a respetivas caras de maus que se desvaneciam assim que parte das notas recolhidas pelo mestre de cerimónias transitava para as suas mãos.
E todo o frenesim continuava, atingindo o seu auge quando os proprietários dos dois galos contendores os acirravam, um frente ao outro sem os largarem... A assistência, de dedos em vitória no ar, gritavam a cor do animal em que cada um tinha apostado,
- Vermelho, vermelho, vermelho!
-Branco, branco, branco!
num som único como uma maré, que se levantava até ao tumulto quando os animais eram largados... Para logo de seguida terminar com o golpe certeiro de um dos galos fulminando o seu opositor. A morte é mais rápida porque os espigões das patas são substituídos por pequenas facas afiadas.
E depois de dormirmos na casa da nossa última família indonésia, com o seu pátio interior, templos, árvores de Santo António com as flores das oferendas e do incenso que perfuma as ruas, fomos para a China, Guengzou, no Cantão. Ali tínhamos pensado tirar uma fotografia juntas, em jeito de terminar as Viagens à Conchichina. Mas a ligação da Nádia para Londres era já, já, e eu, que pensava em mil e uma maneiras de me esgueirar para ir espreitar o Cantão... recebo a oferta do aeroporto para ficar alojada num hotel enquanto esperava a minha ligação para Amsterdão, a 18h de distância.
E foi assim que Guengzou se tornou num hotel belíssimo, com inusitadas iguarias, a partir do qual fiz um périplo para "cheirar" a China. Não fui sozinha, não, fiz três amigos, viajantes solitários que tiveram a mesma sorte que eu: o David, alpinista profissional, norte americano, a caminho do Tibete, onde ia libertar um amigo há um ano pendurado de uma escarpa, congelado, morto numa derrocada.
- Alguém teria de cortar a corda para lhe ser dado um enterro digno.
A Fiore, de Santiago do Chile, viajante profissional em trânsito para a Nova Zelandia. Trabalha nos países onde arranja emprego e amealha para voltar a viajar. E Nofal, de 25 anos, indonésio, primeira vez que sai do seu pais, rumo à Alemanha, onde vai fazer um curso para trabalhar a bordo de navios de cruzeiro.
De notar que não encontrámos quem falasse inglês, tudo se dizia e escrevia em cantonês... Pelo que, já se está a ver, não havia neste bocadinho de China nenhum resto do mundo! E... pode até ser impressão minha, mas não vi nenhum dos cidadãos chineses com quem nos fomos cruzando durante estas 5 semanas de viagem pelo Sri Lanka, Singapura, Malásia, Tailândia e Indonésia, a bordo dos seus belos iates, nas free shops dos 17 aeroportos por onde passámos, a comprarem os melhores perfumes, jóias e roupas ... Pode ser impressão minha...
Hotel em Guangzou, Cantão, China
(Afinal havia umas palavritas em inglês...)
Aqui, nesta loja, tivemos de mostrar cada um a sua língua, a qual foi atentamente examinada por uma especialista, e em seguida, julgamos que em conformidade com o resultado desse exame, foi-nos servido o chá apropriado, pessoal e intransmissível.
Até à próxima viagem!









































































