Das ilhas Gili viemos de barco para a única ilha hindu das quase 18000 ilhas deste país insular: Bali.
Aqui tudo é diferente. Desde logo há oferendas individuais e diárias ( pequenas caixinhas feitas de folha de bananeira contendo flores, arroz, incenso, moedas) às mais de 100 divindades hindus, colocadas à entrada das casas, nos carros, nas motas; as colocadas no chão destinam -se aos espíritos maus, que voam baixo, enquanto as colocadas nos altares mais altos, aos espiritios bons. Ninguém é esquecido.
Ha mais templos do que casas por um simples motivo: cada casa tem, num pátio interior, os seus próprios templos, e a comunidade tem mais três templos comuns. Assim, no centro de um aglomerado populacional está o templo dedicado a Brahma, o criador, junto ao templo de Vishnu, o guardião; o templo de Shiva, o destruidor, fica na floresta, na entrada norte ou sul.
Foi ao templo de Shiva da fabulosa cidade de Ubud que nós fomos no post anterior, que fica na sagrada floresta dos Macacos. E foi nesta cidade que foi rodado o filme "Comer, orar e amar" com a Júlia Roberts e o Javier Barden, culpado por aqui termos encontrado, de novo, o resto do mundo.
É junto ao templo de Shiva que acontecem as cremações, ritual central nas inúmeras cerimónias que integram esta religião, aqui com profundas influências budistas. Na verdade, foram os ricos hindus que fugiram da ilha de Java, tomada pelos muçulmanos no séc XVI, que mesclaram o hinduísmo com o budismo chines que já cá estava. Os muçulmanos competiram lado a lado com os portugueses, ao longo do séc XVI, pela hegemonia nestas paragens.
Assistimos aos preparativos de uma cerimónia de cremação de uma senhora idosa de casta superior. O seu corpo será colocado na cama que está no templo no centro da casa, destinado às celebrações de morte e casamento; depois será transladado para um boneco gigante de uma vaca e transportado até ao crematório do templo de Shiva. Serão depositados numa pira, em torno do boneco com o corpo no seu interior, todos os seus objetos e ofertas valiosas que a deverão acompanhar na sua nova viagem. A seguir será lançado fogo a todo o conjunto e o sacerdote ficará durante horas em oração sobre as cinzas, que serão posteriormente lançadas ao mar, e recolhidas gotas da água para colocar num dos altares da habitação.
Toda a cerimónia decorre num ambiente festivo, porque se trata da libertação da alma, que reencarnará num bebé. O circuito entre a casa do morto e o local da cremação será tortuoso porque há que confundir os espíritos maus que entretanto se acercaram da cerimónia.
Encontrámos a cruz suástica em templos hindus, em altares na entrada de habitações, meios de transporte, e sabemos que é usada em todos os casamentos hindus, nos festivais, em roupas e jóias... É um dos 108 símbolos de Vishnu e representa os raios do Sol.
Ainda fomos a uma oficina de joalharia, ver trabalhar a prata que vem da ilha de Sumatra, porque era o maior sonho da Nádia. Agora está ainda mais feliz.
A cama do altar de uma casa de casta inferior.
Uma cama do altar de uma casa de casta superior.
As casas integram vários agregados de uma mesma família, organizados em torno de um pátio central com os templos.
Em Bali, além de tostas tipicamente portuguesas de Malaka, também encontrámos mais celebrações da Merdeka: a independência da Indonésia, a 17 de Agosto de 1945, dos holandeses.

















Sem comentários:
Enviar um comentário