Aterrámos na Indonésia, onde ficaremos por 17 dias... E para começar, passámos tempo demais no aeroporto para obter o visto e para tentar resolver a duplicação de pagamento de voos... Coisas de quem viaja. Resolvidas as burocracias, novo ambiente: caos total.Tráfico impressionante , muitas motos, muitas pessoas, muito comércio, conglomerado-cidade construída na horizontal. Muita simpatia também, ajudam-nos a atravessar a rua impenetrável.
Ficamos alojadas no hotel Aloha, de um francês que se naturalizou indonésio há 30 anos e que não consegue obter visto para ir a França. Será porque a Indonésia é um país 70% muçulmano, será?
Continuamos a dar-nos muitíssimo bem com a família Lonely Planet... Desta vez com dois casais germânicos e duas estudantes de direito suíças, com quem partilhamos a visita aos templos Património da Humanidade, Prambanam, hindu, e Borobudour, budista (claro, partilhámos a visita aos templos com eles e com o resto do mundo que também estava lá). Os templos são por nós invadidos, "desdignificados", abalroados, são re-re-re-construídos dos sucessivos tremores de terra, mas ainda assim mantêm-se como lugares incontornáveis nas rotas deste vírus turístico que provoca profundas mudanças sociais onde se instala.
Vimos o Ballet de Ramayana, reflexo da riquíssima cultura javanesa, com o Templo de Prambanam como cenário. O Ramayana é um épico sânscrito, parte importante do canon hindu.Contém os ensinamentos dos antigos sábios hindus e apresenta-os através de alegorias na narrativa e intercalação do filosófico e o devocional. A narrativa, explorada através da estética javanesa na música e na dança, decorre em torno da odisseia do príncipe Rana para resgatar a sua mulher, Sita, dos braços de Ravana, o rei dos demónios, que a raptou. Quando finalmente consegue libertá-la, desconfia da sua pureza, pelo que Sita se auto-imola através do fogo... Porém, as chamas não a molestam, comprovando-se assim que dissera a verdade.
Ajudou-nos a atravessar a estrada um professor de piano que trabalha numa instituição para os "órfãos dos tsunamis, dos aluimentos de terra e de sismos", que nos disse
-Cuidado com a máfia do Batik!
E nos levou a uma escola onde se ensina está arte e onde pudemos falar com os mestres.
Além da cultura milenar, estas mais de 17.000 ilhas são também de uma biodiversidade extraordinária... E foi precisamente uma dessas "biodiversidades" aracnídeas (talvez deva antes dizer "bioadversidades") que me deu uma dentada na perna, enquanto seguia com a Nádia num dos carrinhos de cá movidos a bicicleta...Foi assim que fomos conhecer o excelente hospital de Jogyakarta, o primeiro de outros nas diferentes ilhas onde terei de fazer o curativo. Depois de vista atentamente por três médicos ficou a esperança...
- Pode ser que não precise de tomar o antídoto...
Até porque não se sabe exatamente de que espécie de aranha se tratava,ninguém a viu, só os estragos da toxina...e que, parece, por agora, estão controlados.
A biodiversidade também se estende aos comerciantes, que aqui pertencem a uma espécie bastante agressiva, no que respeita a angariar clientes. Assim, à saída de um dos templos onde o visitante é forçado a penetrar num túnel ladeado de bancas de batik e etc, vimo-nos atacadas em simultâneo por 15 lojistas aflitos, em uníssono, a gritarem, a gesticularem para nós lhes comprarmos água. No primeiro momento ficamos a olhá-los, atónitas, como a tentar fazer ricochete das suas palavras.Mas imediatamente a seguir leiloámos o que tínhamos: uma de nós! Apresentámos o produto, lançámos uma base de licitação, tentamos equiparar-nos às técnicas de venda do inimigo. E resultou! Performance em cheio, e 15 amigos novos!
E ainda antes de sair de Jogyakarta, rumo a Lombok, fomos ao Palácio do Sultão, amado por todos, e que teve um papel de destaque na independência da Indonésia. Sentimos, uma vez mais, quão desconhecedores somos, nós, europeus, das culturas asiáticas.
Sim, os sultões fazem-se retratar usando orelhas postiças!
























viva a vida, cuida dessa picada e cuidado com as invejas das aranhas
ResponderEliminarEssa das orelhas postiças, mata-me! :D
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