A Praia é a Praia Cor-de-Rosa, da Ilha de Komodo.
Na praia há turistas como dragões a fazer snorkeling, na estação seca.
Na praia há dragões como turistas a fazer snorkeling, na estação húmida.
Os turistas nadam atrás dos corais e dos peixes coloridos e das tartarugas, com máscara e tubinho. Os dragões nadam atrás dos veados, com o nariz de fora e nunca mais de 200 m, porque não têm tubinho nem foram feitos para a água salgada.
O Parque Natural colocou aqui os veados de Timor para alimento dos dragões.
Deus colocou aqui os corais para alimento dos turistas.
Este belíssimo dragão de quase três metros está a fingir que dorme, junto a um ponto de água, para dar uma dentada num veado ou javali que aí venha beber. Depois vai persegui-lo, nem que seja no mar, nem que seja durante uma semana, até que o pobre animal morra com uma infeção generalizada, provocada pelas inúmeras espécies de bactérias que povoam a sua boca. Imune a um Dragão de Komodo só um Dragão de Komodo - procura-se ainda encontrar o antídoto para uma das estirpes mais mortíferas dessa comunidade de bactérias simbiontes.
É por esse motivo que não consigo explicar-vos a quantidade de adrenalina, minha e da Nádia, que impregna a foto acima.
Trata -se de uma fêmea, mais pequena do que o macho, mas igualmente assustadora para mim, que já me sentia satisfeita para o resto da minha vida com o primeiro avistamento. Já a Nádia não, claro está! E ainda andámos mais um bocadinho pelo trilho quente e seco, quando encontrámos um pequeno dragão, de cerca de três anos.
- Nao se assusta muito com humanos,
disse o nosso ranger, munido de um pau bifurcado para fazer frente a uma eventual investida, enquanto nós corrêssemos para o mais longe possível, em ziguezague, e/ou subíssemos a uma árvore... mas, continuando, o ranger explicou,
- Em Setembro as fêmeas fazem a postura de cerca de 20 ovos no ninho abandonado de uma ave que é semelhante a uma grande galinha do mato. Cuidam dos ovos, evitando os estragos da cobiça canibal e a das outras espécies... com o objetivo de reservar o festim só para si. Assim, quando eclodem, os bebés já sabem que a mãe os aguarda impacientemente para comê-los. Por isso esperam por uma eventual distração da progenitora para correrem para cima de uma árvore, donde só saem passados dois anos...
Um veado de Timor, a espécie introduzida nas 4 ilhas do Parque Natural de Komodo onde há
Dragões. Quando finalmente os comem, inteiros, partidos apenas aqui e ali, os dragões optam pela quase imobilização, para digerirem com tempo ( mas não tanto que a carcaça apodreça no seu interior). Digamos que será uma digestão que permita dali a um mês almoçarem de novo. Defecam uma matéria castanha ou negra, dependendo se é de pêlo de veado ou de javali, e um pó branco, o carbonato de cálcio dos ossos.
Estas ilhas, das quais as mais conhecidas são as de Komodo e de Rinca, ficam a 4 e 2 horas, respetivamente, de barco desde Labuanbajo, na Ilha das Flores, o que é um fator de peso a considerar se houver um acidente com um dragão... É que além do transporte de barco ainda há 3 horas de avião até ao hospital de Bali, lugar onde se ministram os antibióticos e uma grande dose de esperança... Fica, mais uma vez claro, o meu sentimento dominante ao visitar Komodo. Já a Nádia...
Ai que medo! É que os dragões correm muito, apesar de serem animais de metabolismo lento, e de "sangue-frio"... O que nos vale é que não têm os sentidos da visão e ouvido tão apurado como o olfato...
Para detetarem os odores, os dragões lançam a sua língua bifurcada ao ar, como fazem as serpentes. Por isso, a primeira coisa que fazem quando vêem uma fêmea nos meses de junho, julho, época de acasalamento, é deitarem-lhes a língua de fora. Elas não devem gostar nada, nem disso nem do resto, porque nessa altura ninguém as vê, escondem-se em buracos longe dos olhares dos machos ( e dos turistas também). Os machos, claro, também ninguém os vê porque andam doidos, de língua de fora, à procura delas, e quando encontram algum buraquinho onde esteja uma, lutam e comem-se uns aos outros ( o que é giro nisto dos dragões é que é tudo "literalmente"). Quando finalmente sobra um e partes dos outros, a fêmea tenta sair de mansinho daquele banho de saliva vermelha (aqui o literalmente resulta poeticamente porque os dragões têm, de facto, saliva vermelha). Ora a pobre coitada não consegue escapar, é sempre agarrada pelo macho, mais veloz e possante, mas como também tem cinco garras em cada mão, fortíssimas, o macho tem de prendê-la para não ficar, ele próprio, ainda mais injuriado do que já está.
Em suma, tudo isto não deve ser nada agradável, nem para elas, nem para eles, nem para o Parque que fica sem dragões para turista ver...
Ora se este Corvo tivesse estado há 6 meses neste mesmo lugar, próximo do porto da ilha de Komodo, teria assistido ao desembarque e fuga de 25 turistas indonésios, perseguidos por 6 dragões de Komodo. Tudo por causa de uma rapariga do grupo.
-Depois disso, agora perguntamos sempre às senhoras se estão com o período,
disse-nos o ranger,
-É que os dragões conseguem sentir o cheiro do sangue a longas distâncias... e lá vieram todos de língua no ar... E nós, os rangers de serviço, ainda conseguimos atrasar a caminhada dos dragões, lutando com os nossos paus bifurcados, uma "língua"por cada dragão... Mas por pouco tempo. Largámos as armas e corremos com o turistas, durante seis quilómetros, sem parar, em torno da ilha, cada um na sua direção...
Navio da National Geographic no porto de Komodo
Não estavam veados a nadar no mar da praia cor de rosa... tartarugas sim... Mas a foto não é nossa, tal como a dos corais. Foi realmente o que vimos. É outro mundo imensamente maior e ainda mais espantoso o que está debaixo de água. Quisemos partilhar. Para a próxima, além da garrafa para scuba diving, também traremos equipamento de fotografia subaquática.














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